Brincando com Deus

Existia antes de tudo, um começo. Antes disso, nada. Quando Deus era um menino, não sabia que era Deus. Ele era tudo o que era ausente e Nele tudo acontecia. O eterno de hoje inexistiu um dia. O ontem era a eternidade incriada que existiu para um sempre que acabou. Tiveram antes de nós mesmos, outros, antes dos outros, alguém e antes de alguém, Deus. Um copo cheio de tão vazio, um sopro que sufocava o não. Ele não sabia. Ele era antes o que ainda é, e é, e é, e é, até deixar de ser. Acordou no meio de tanto nada e quis ter tudo. Quis, de repente teve. Descobriu que podia tudo, e fez tudo o que pôde. Alucinado por tanto ser, sucumbiu ao mundo. Deitou-se ao leito da vida e surgiu o que existe. Cabisbaixo, sorriu. Contemplou o invisível, o vil batimento que sustentava o frágil olhar do mundo aberto. Já consciente do que era e de tudo o que seria, tropeçava em seus próprios pensamentos. Emudecia. E no seu silêncio etéreo e divino morreu dentro de si, sepultou-se em lamento de ninguém. Calou e encerrou sua própria brincadeira.

Frederico Brison.

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2 comentários em “Brincando com Deus

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