De saudade do vampiro

Eu te quero por perto. Quero puxar as fitas que envolvem teus pulsos e revelar ao mundo as tuas imaculadas veias. Tão belas e tão arroxeadas, de assombrar até mesmo o mais vívido dos vampiros. De acordar meu lado vampírico, coisa que fizeste tão bem, quando seus cabelos ainda eram trançados.

Quero frisar-te, pois tu por inteira já é a sentença. De morte, de forca, de eternidade: escolha, por favor, cara colega. Pois eu mesmo, tão sensato, como dirias, escolheria a dedo, pois na eternidade da noite sem Sol, as três se fundem e se misturam. Tudo, sem ti, é sinônimo.

Desejo mais que tudo ter coragem de pegar o inseticida. Ou ter a ousadia de matar no tapa aquele pernilongo que anda me incomodando aqui e ali, sugando de meu sangue o mais bizarro elixir. Sugando-me, tirando-me de mim.

Apareça, cara mortal, e acorde novamente o monstro em mim. Só tu és grande o bastante para fazer eu me importar novamente. Matar, mais uma vez, os mais fracos que eu. Sem pena.

Oh, quem diria? Logo eu que sempre fui pequeno, de importância cínica e exagerada.

Eu te quero na minha rua. Mas no fim, num lugar onde eu ainda possa pecar e ter preguiça de ir te ver. Porque se estiveres perto demais, amante esquecida, vou perder o resto dos fios curtos que ainda me restam. Fumar na janela da cozinha porque é esta que é virada para teu prédio. Viraria minha rotina de ponta cabeça, te ter assim, onde eu possa arranhar.

Então fiques somente onde eu possa sentir. Onde eu possa saber. Em algum lugar onde eu possa ver se tua sala pegar fogo, em contato com essa chama estranha que eu senti quando te beijei.

Uma única vez. Viajei umas milhas e lhe devorei. Embora ainda tu não saibas.
Eu te quero por perto. Eu te quero aqui. Eu te quero por sede. Eu te quero por instância. Por inconstância.

Eu te quero, na verdade, por dentro. Dentro de cada cigarro que fumo, mesmo não devendo fumar. Quero tua presença em cada livro indecente que eu leio. Quero-te por perto quando eu cometer meus crimes. Eu te quero para ser o meu crime. Quero-te sendo o álcool da minha vodca, te quero para mim, tão lúcida… Ilícita.

Quero-te. Isso basta para ti? 

Não basta para mim.

Frederico Brison.

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3 comentários em “De saudade do vampiro

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